Tenho mil cartas escritas dentro de mim.
Todos os versos são sobre você.
As guardo pra te dar, mas nunca mando.
Talvez porque me transbordo tanto que não sei se você conseguirá compreender.
Meu eu é tão perverso e egoísta quando se trata de ti,
não tem pudores,
só tem temores,
por medo
de te perder.
Talvez você consiga lê-las todas as vezes em que perco meu olhar no seu.
É um desafio e tanto não ceder a insanidade quando você sorri,
é como se faltasse meio passo até o precipício.
E é ai que eu peco, digo eu te amo em silêncio,
e escrevo nas bordas das cartas
o teu nome milhares e milhares de vezes
como se você preenchesse cada espaço vazio dentro de mim.
Então, ao seu toque sobre meu corpo eu as exponho, deixo as em teu poder
todas as cartas, todos os versos,
todas as frases mal feitas e todas as rasuras que tentei esconder o tempo todo.
Mas você não as lê, não precisa.
Você simplesmente a cada toque, as mistura com as suas próprias cartas
e juntos escrevemos através de nossos corpos o livro da nossa história.

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