Na calada da noite
entre uma ou duas canções banais
a urgência explode em meu peito.
entre uma ou duas canções banais
a urgência explode em meu peito.
Um acorde qualquer projeta sua presença em mim.
Tudo parecia rodar em uma fita de vídeo dos anos 80,
como se meu corpo dançasse entre o tudo e o nada,
entre o infinito e você.
No intervalo de uma nota a outra um som calmo veio reviver
uma lembrança de um passado que vivemos juntos.
E nem se quer existiu.
Num bar, numa noite, em um outro planeta,
dois olhares trocados e uma dívida eterna pro coração.
Quem poderia dizer que não era real?
As notas continuavam, um sopro suave atingiu meu peito
e percorreu todo meu corpo como um mecanismo perfeito,
e então me veio você.
Cenas aleatórias de um passado imaginário preencheram
meu coração e minha alma como um cobertor pra quem precisa se proteger do frio.
Eu sabia que não era real.
Mas a música não parava de tocar e um
álbum de fotos passado folha por folha
trazia repetidamente a mesma lembrança: meu amor por você.
É completamente místico, você pode não crer
mas é como se meu corpo carregasse milhares de álbuns de fotos
e de fitas de vídeos velhas e que todas elas fossem sobre você.
Exatamente como se tivessemos vivido todas as vidas antes dessa.
Juntos.
Como se cada canção escrita no mundo fosse sobre nós dois.
E que a cada nota, por mais banal, por mais inexata que fosse
sempre carregava a sensação de que eramos feitos um para o outro,
como se penetrasse pela minha pele
se encaixando perfeitamente em minha alma.
Como se o nosso amor fosse a certeza maior do meu ser.





